sábado, 24 de dezembro de 2016

Oração para São Natalício – Edição nº 9

Crédito: Sacha Goldberger

Que sejamos de mais abraços
Que sejam de muito mais que 20 segundos
Que a contagem dos segundos seja dilatada e pareça que nos perdemos entre eles e possamos enfim saltar tempos, voltar, ficar e apenas ser presentes
Que os surdos passem a escutar tudo o que se recusam
Que toda forma de ódio seja substituída por toda forma de amor
Por toda forma de amor
Que o entendimento de DIVERSIDADE entre pelas narinas, pelos globos oculares, pela boca, orelhas, região genital, cu e todos os poros por onde mais for possível
Que a guerra seja sinônimo constante do que somos: imperfeitos, incorretos, suscetíveis ao medo, ao horror, ao impossível e acima de tudo, dotados de um sentimento de pena infindável
Que o que está fora do padrão continue a atormentar à normalidade – no sentido do que normatiza
Que sejamos corajosos em assumir o que somos
Que saltemos rumo ao inesperado
Que o escuro seja um companheiro de luz
Porque “Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia"
Shakespeare sabia, e nós? Assumimos o que está além de nós?
Que seja de mais doação e menos consumo
Que seja de mais abraços
Que sejam de muito mais que 20 segundos
Que a contagem dos segundos seja dilatada e pareça que nos perdemos entre eles e possamos enfim saltar tempos, voltar, ficar e apenas ser presentes

Ó São Natalício, não apague nossa luz!
E obrigado por hoje poder dizer
Que amo meus irmãos.

Amém

Rafael R. C. – Fim de Ano 2016

Crédito: Sacha Goldberger

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Oração para São Natalício - Ano 8

Crédito: Angela Glajcar

Porque ainda há muito o que dizer
Porque ainda há muito o que caminhar
Porque a inteligência de nossas crianças irá nos salvar
Porque ainda há muito ódio a ser combatido
Porque ainda há muitas camadas à serem reveladas
Porque não é só de impedimentos que nosso país será humano
Porque precisamos aprender a perder
Porque ainda não sabemos o valor da vitória
Porque o amor não passa de mão em mão
Porque o amor é o sentimento que ilumina a alma
Porque, citando Alberto Caeiro, "sou do tamanho do que vejo e não, do tamanho da minha altura..."

Ó São Natalício, não apague nossa luz!
E obrigado por hoje poder dizer
Que amo meus irmãos.

Amém

Rafael R. C. – Fim de Ano 2015

Crédito: Angela Glajcar

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Louvor à São Natalício


Louvemos São Natalício
Pela graça alcançada
Por nos inflar de amor onde havia dor
Por acreditar no rejuvenescimento dos poros
Pela crença infinita no sentimento de comunhão
Pela crença em seu público, vivo ou virtual, mas fidedigno
Pela força das palavras que, com frequência, nos elevam a alma
Que sua glória continue a clarear nossos dias
Que o novo seja envolvente como uma jóia rara
Que ele se faça em cada NÃO e em cada SIM
Que sejamos generosos com nossos pais
Que não esqueçamos do compromisso com o EDUCAR.

Ó São Natalício, não apague nossa luz!
E obrigado por hoje poder dizer
Que amo meus irmãos.

Amém

Rafael R. C. – Fim de Ano 2014

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Oração para São Natalício – Ano 6

Que os “Pra você também” não sejam da boca pra fora
Mas de fora, para a boca e assim seguindo adiante
Dentro e cada vez mais intenso

Que a urgência da fala, do tato e do gesto não sejam vencidos
Por um chip de sua memória

Que a Arte vibre por seus poros como o Ar que te mostra a brevidade da vida
E que ela seja reconhecida pelos tolos e pelos todos

Que não haja fome onde há gula
Que não haja lágrimas onde há um perfume amigo
Que a seleção seja natural

Que os campos permaneçam verdes, sem a fúria da vitória e com o prazer do percurso

Que o sentido e o significado do agradecimento sejam como os “Pra você também”
De fora, para a boca e assim seguindo, a cada nova palavra
Dentro e cada vez mais intenso.

Ó São Natalício, não apague nossa luz!
E obrigado por hoje poder dizer
Que amo meus irmãos.

Amém

Rafael R. C. – Fim de Ano 2013

Myeongbeom Kim

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Oração para São Natalício – Ano 5

Que o exemplo do Natal, que é motivo de alegria e partilha
Impulsione um Ano Novo repleto de qualidades positivas
E como diz Drummond, faça com que ele mereça esse nome
O NOVO
“É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.”


Essa é a oração de festas que todos esperam receber. É lindo! É higiênico!
Mas a verdadeira oração que quero GRITAR aos céus e terras é:

Rezemos para o Sr. Presente
Que as crianças (nós e elas) lembrem da importância do brinquedo
Aquele que sugere conhecimento e imaginação
Que o sonho não tenha limites
Que a possibilidade para uma “cura” da sociedade venha pelo prazer do jogo.
Que palavras como “preconceito” deixem de ser usadas pejorativamente
E possamos enfim saber o papel do homem em seu espaço.
Que o Noel seja o MEU pai e o seu também,
Não um cara lá de um lugar que desconheço.
Que o sentido de AMOR flua e seja redescoberto pelo toque
Que a importância das cores e essências de um toque não sejam jamais esquecidas.
Por favor, que não sejam jamais esquecidas.

Ó São Natalício, não apague nossa luz!
E obrigado por hoje poder dizer
Que amo meus irmãos.

Amém

Rafael R. C. – Fim de ano de 2012
Philip Lorca diCorcia

sábado, 24 de dezembro de 2011

Oração para São Natalício 4


                                                                                    Kilian Eng

Rezemos pelo Sr. Futuro
Que as Crianças de hoje não se tornem o que queremos [Nós]
Mas que sejam quem o Sr. Futuro determinar
Que nossas Crianças não cresçam
Que [Nós]sos Adultos aproveitem do Sr. Futuro com alegria
E com menos sujeira nas ruas, menos mentira da violenta, menos escândalo na boca,
menos tinta vermelha nos jornais, menos show de balas na televisão,
menos conceito fechado sobre determinada coisa ou causa,
menos, muito menos, mas muito menos mesmo.

Ó São Natalício, não apague nossa luz!
E obrigado por hoje poder
Dizer que amo meus irmãos.

Amém

Fim de Ano de 2011



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

ACEITO ou NÃO ACEITO e ASSISTA ou NÃO ASSISTA

*escrito aproximadamente na 2ª quinzena de junho/2011

As abóboras voltaram. Pensei em deixá-las agora que fundei um novo espaço de criação em http://parafraseandoaficcao.blogspot.com/, mas é praticamente impossível deixar essa minha outra voz calar, a voz que quer criticar, denunciar ou apenas reclamar. Este blog foi pensado inicialmente para sugerir receitas de padrão artístico-cultural, mas, como arte exige desconforto e risco, agora o trocando_abóboras quer incomodar um pouco mais, tudo em busca de uma evolução da escrita. Para inaugurar esse novo tempo surgem os novos tópicos de identificação de postagens: ACEITO; NÃO ACEITO; ASSISTA e NÃO ASSISTA. O significado de cada uma delas será explorado em cada postagem (semanal, mensal ou anual, rs) com indicações e/ou críticas de eventos culturais ou situações de nosso feliz cotidiano político e social.

NÃO ACEITO/NÃO ASSISTA 

Desde que comecei a morar definitivamente em São Paulo, disse a muitos amigos que andava assistindo a espetáculos e filmes incríveis. De fato, Deus foi generoso naqueles dias, porém, existem as trevas para nos lembrar que nem só de 5 estrelinhas vive o homem, ta aí a carinha infeliz pra provar isso. Nesta semana tive um exemplo de como NÃO fazer um espetáculo. Excesso de direção pode fazer mal ao ator, sobretudo quando são muitos atores em cena e a impressão que o espectador tem é a de que nenhum deles foi observado verdadeiramente durante o processo de criação. Um equívoco de encenação que vinha por todos os lados, pela boca dos atores, que desconhecem a respiração diafragmática e ignoram a combinação voz e corpo como instrumento favorável para uma arte do ator; pelos figurinos carregados e desnecessários da protagonista, que a cada momento surgia com uma nova versão de si mesma, em busca de um destaque que não viria; pela falta de cuidado ao falar as palavras do texto que pareciam querer ser livradas rapidamente, como se fosse um grande incômodo que atrapalharia sua interpretação. Era claro o desejo de alguns atores de se colocar à frente do personagem.
Uma figura bastante particular é a protagonista, impagável como a Santa Joana Santa D’Arc, a infinidade de texto que a atriz profere é digna de aplausos, claro, porque decorar aquilo tudo é praticamente uma promessa. No meio das 2h e 10 min de espetáculo, senti que a sua voz começava a dar indícios de que sumiria de vez. Por fim, certo cansaço se manifestou e assim, novamente fui invadido por um desinteresse enorme pelo que assistia.


Difícil apreciar um trabalho quando ele não é apresentado com uma verdade. Meses atrás assisti uma palestra incrível com o griot Hassane Kouyaté, filho de Sotigui Kouyatè, grande mestre e ator do Odin Theatre de Peter Brook. Ele falou um pouco sobre a verdade das 3 verdades que todo mundo já ouviu falar: “Existe a minha verdade,  a sua verdade e  A VERDADE.” É lindo isso para se pensar em arte. Mas é difícil. É difícil fazer teatro. É difícil escrever para teatro. É difícil ter que ver e ouvir e aceitar calado... isso porque sou um espectador bastante respeitoso. A minha opinião é a de quem se sentiu desconfortavelmente indeciso se saia pra fumar ou curtir uma baladinha retrô, porque ali, definitivamente não queria estar. O que sobra? Bom, a coragem em montar um clássico de Schiller, do qual infelizmente ainda conheço pouco, mas considero a coragem, pois a exposição pode sofrer conseqüências inesperadas. O clássico que estou colocando em questão é “Joana D’Arc” que está em cartaz no Teatro Bibi Ferreira, em São Paulo, até... bom, sei lá, se você leitor se interessar, vá. E depois, faça seu comentário favorável ou desfavorável à esse rabisco crítico.