sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Oração para São Natalício – Ano 5

Que o exemplo do Natal, que é motivo de alegria e partilha
Impulsione um Ano Novo repleto de qualidades positivas
E como diz Drummond, faça com que ele mereça esse nome
O NOVO
“É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.”


Essa é a oração de festas que todos esperam receber. É lindo! É higiênico!
Mas a verdadeira oração que quero GRITAR aos céus e terras é:

Rezemos para o Sr. Presente
Que as crianças (nós e elas) lembrem da importância do brinquedo
Aquele que sugere conhecimento e imaginação
Que o sonho não tenha limites
Que a possibilidade para uma “cura” da sociedade venha pelo prazer do jogo.
Que palavras como “preconceito” deixem de ser usadas pejorativamente
E possamos enfim saber o papel do homem em seu espaço.
Que o Noel seja o MEU pai e o seu também,
Não um cara lá de um lugar que desconheço.
Que o sentido de AMOR flua e seja redescoberto pelo toque
Que a importância das cores e essências de um toque não sejam jamais esquecidas.
Por favor, que não sejam jamais esquecidas.

Ó São Natalício, não apague nossa luz!
E obrigado por hoje poder dizer
Que amo meus irmãos.

Amém

Rafael R. C. – Fim de ano de 2012
Philip Lorca diCorcia

sábado, 24 de dezembro de 2011

Oração para São Natalício 4


                                                                                    Kilian Eng

Rezemos pelo Sr. Futuro
Que as Crianças de hoje não se tornem o que queremos [Nós]
Mas que sejam quem o Sr. Futuro determinar
Que nossas Crianças não cresçam
Que [Nós]sos Adultos aproveitem do Sr. Futuro com alegria
E com menos sujeira nas ruas, menos mentira da violenta, menos escândalo na boca,
menos tinta vermelha nos jornais, menos show de balas na televisão,
menos conceito fechado sobre determinada coisa ou causa,
menos, muito menos, mas muito menos mesmo.

Ó São Natalício, não apague nossa luz!
E obrigado por hoje poder
Dizer que amo meus irmãos.

Amém

Fim de Ano de 2011



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

ACEITO ou NÃO ACEITO e ASSISTA ou NÃO ASSISTA

*escrito aproximadamente na 2ª quinzena de junho/2011

As abóboras voltaram. Pensei em deixá-las agora que fundei um novo espaço de criação em http://parafraseandoaficcao.blogspot.com/, mas é praticamente impossível deixar essa minha outra voz calar, a voz que quer criticar, denunciar ou apenas reclamar. Este blog foi pensado inicialmente para sugerir receitas de padrão artístico-cultural, mas, como arte exige desconforto e risco, agora o trocando_abóboras quer incomodar um pouco mais, tudo em busca de uma evolução da escrita. Para inaugurar esse novo tempo surgem os novos tópicos de identificação de postagens: ACEITO; NÃO ACEITO; ASSISTA e NÃO ASSISTA. O significado de cada uma delas será explorado em cada postagem (semanal, mensal ou anual, rs) com indicações e/ou críticas de eventos culturais ou situações de nosso feliz cotidiano político e social.

NÃO ACEITO/NÃO ASSISTA 

Desde que comecei a morar definitivamente em São Paulo, disse a muitos amigos que andava assistindo a espetáculos e filmes incríveis. De fato, Deus foi generoso naqueles dias, porém, existem as trevas para nos lembrar que nem só de 5 estrelinhas vive o homem, ta aí a carinha infeliz pra provar isso. Nesta semana tive um exemplo de como NÃO fazer um espetáculo. Excesso de direção pode fazer mal ao ator, sobretudo quando são muitos atores em cena e a impressão que o espectador tem é a de que nenhum deles foi observado verdadeiramente durante o processo de criação. Um equívoco de encenação que vinha por todos os lados, pela boca dos atores, que desconhecem a respiração diafragmática e ignoram a combinação voz e corpo como instrumento favorável para uma arte do ator; pelos figurinos carregados e desnecessários da protagonista, que a cada momento surgia com uma nova versão de si mesma, em busca de um destaque que não viria; pela falta de cuidado ao falar as palavras do texto que pareciam querer ser livradas rapidamente, como se fosse um grande incômodo que atrapalharia sua interpretação. Era claro o desejo de alguns atores de se colocar à frente do personagem.
Uma figura bastante particular é a protagonista, impagável como a Santa Joana Santa D’Arc, a infinidade de texto que a atriz profere é digna de aplausos, claro, porque decorar aquilo tudo é praticamente uma promessa. No meio das 2h e 10 min de espetáculo, senti que a sua voz começava a dar indícios de que sumiria de vez. Por fim, certo cansaço se manifestou e assim, novamente fui invadido por um desinteresse enorme pelo que assistia.


Difícil apreciar um trabalho quando ele não é apresentado com uma verdade. Meses atrás assisti uma palestra incrível com o griot Hassane Kouyaté, filho de Sotigui Kouyatè, grande mestre e ator do Odin Theatre de Peter Brook. Ele falou um pouco sobre a verdade das 3 verdades que todo mundo já ouviu falar: “Existe a minha verdade,  a sua verdade e  A VERDADE.” É lindo isso para se pensar em arte. Mas é difícil. É difícil fazer teatro. É difícil escrever para teatro. É difícil ter que ver e ouvir e aceitar calado... isso porque sou um espectador bastante respeitoso. A minha opinião é a de quem se sentiu desconfortavelmente indeciso se saia pra fumar ou curtir uma baladinha retrô, porque ali, definitivamente não queria estar. O que sobra? Bom, a coragem em montar um clássico de Schiller, do qual infelizmente ainda conheço pouco, mas considero a coragem, pois a exposição pode sofrer conseqüências inesperadas. O clássico que estou colocando em questão é “Joana D’Arc” que está em cartaz no Teatro Bibi Ferreira, em São Paulo, até... bom, sei lá, se você leitor se interessar, vá. E depois, faça seu comentário favorável ou desfavorável à esse rabisco crítico.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

“a cidade na rua” ou “o-dores (São Paulo-SP)” ou "O que é bonito?"

Feliz 2011! O Ano Novo só chegou hoje por aqui depois de uma amiga "devagar" sobre um fato que a fez considerar este como seu início de "ações" para o ano. Depois de "Calendário da Pedra", monólogo de Denise Stocklos, só consigo ver o tempo como uma possibilidade humana para o entendimento de algo que pode se tornar metódico e doentio. Quem faz o tempo somos nós. Aceite isso ou não é nesse presente em que vivemos. Confesso que quase podemos prever o futuro, é verdade, mas as bases mais sólidas para o entendimento do futuro ainda estão no passado/presente.

Por falar em presente, quero falar de São Paulo, a cidade que há quase um mês sou seu novo morador e onde tenho percorrido caminhos necessários para sentir o chão onde piso.


O passeio, curto até, mas que ajuda a dar o título dessa postagem, iniciou na Praça da Sé e seguiu até o Vale do Anhangabaú, onde pude ver parte da história me invadir com seu perfume de cânfora e café, de suor e roupa bem passada, de sol a pino e lágrima corrida, de cachorro quente com cigarro, do que é estrangeiro e papel, de cocô de gato e antitranspirante, de tecnologia e algodão barato, de coca e cola, de cerveja e espumante, de urina e loção pós barba, de gravata de 800 dólares e de mãos que abanam vazias. Essa foi a São Paulo que conheci dias atrás. Essa é a São Paulo que conheço hoje aqui no Brasil.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

VOTOS DE NATAL E ANO NOVO*

*ACRESCIDO DA ORAÇÃO PARA SÃO NATALÍCIO 3 

Depois de dias regurgitando uma necessária mensagem de final de ano, onde gostaria de desejar aos meus amigos os votos de esperança em dias melhores, saúde, dinheiro, amor e sobretudo, fé, cheguei mais a perguntas do que a votos realmente. Aliás, “votos” segundo o dicionário Aulete são cumprimentos, felicitações manifestas a alguém: Fui levar-lhe meus votos de feliz Natal!

Particularmente, neste ano eu não consigo mais fazer votos, já fiz um que me custou um 2º turno do qual não me orgulho, pelo menos até o momento. Enfim, vamos aos meus “votos contrários” - ou seriam sensatos? – para o ano que termina:

Diga-me você o que é o Natal? Um aperto de mãos? Um abraço que já poderíamos ter afetuosamente nos dado ao longo deste ano que passou? O desejo de dias melhores? Por quê? Os outros não foram? Ou apenas a permanência dos dias melhores? Além disso, o que seria um dia melhor? Ah já sei, saúde para toda a família e amigos? Que saúde desejamos ao outro? Muito dinheiro no bolso? Afinal, dinheiro traz ou não felicidade? Rezamos diariamente para ele e ainda não sabemos responder. Dinheiro para gastarmos e no final do ano voltarmos a desejá-lo? Felicidade? Paz? Algum outro adjetivo que esqueci? 
Enfim, estes são os votos mais sinceros que consigo expressar para quem sabe assim remexer um pouquinho no sentido mágico que o Natal proporciona em nós.

                                                                                                                                             Natal por Bill Simone

ORAÇÃO PARA SÃO NATALÍCIO 3

Rezemos pela comédia da vida
Que os homens e as mulheres cuidem de si com mais leveza
Que sorriam mais diante do pão mofado que foi esquecido na bandeja da cozinha
E tenham acima de tudo a decência em partilhar o que é seu

Bom, minha mãe disse que está faltando no mundo:
PAZ, UNIÃO, COMPREENSÃO E SOLIDARIEDADE
Por isso peço a todos que rezemos:

Ó São Natalício, atenda as nossas preces

Ó São Natalício, não apague nossa luz!
E obrigado por hoje poder
Dizer que amo meus irmãos.

Amém

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Apenas uma idéia que me parece boa para se compartilhar, uma idéia de BOAL

Estudar para um concurso nos faz sentir renovados ao re-descobrir idéias já sentidas. O fato é que quando revividas tornam-se marcantes e por essa razão quero compartilhar um pequeno trecho que Augusto Boal traz em "Teatro do Oprimido e Outras Poéticas Políticas" na introdução da prática do Teatro como Discurso:

"Jorge Ishizawa dizia que o teatro da burguesia é o espetáculo acabado. A burguesia já sabe como é o mundo, o seu mundo, e pode portanto apresentar imagens desse mundo completo, terminado. A burguesia apresenta o espetáculo. O proletariado e as classes exploradas, ao contrário, não sabem ainda como será o seu mundo; consequentemente, o seu teatro será o ensaio e não o espetáculo acabado."

Tem dias que "o espírito de educador e de membro ativo que tem muito a colaborar para a mudança da sociedade" desperta em mim com uma força absurda.

Se esse cara não fosse importante para a EDUCAÇÃO, para o TEATRO, para a HISTÓRIA DO BRASIL e para o entendimento de uma DEMOCRACIA que se faz ativamente, ele não teria em seu nome as palavras AUGUSTO e nem BOA.


sábado, 30 de outubro de 2010

A IMITAÇÃO DA ARTE

Postagem escrita para o blog www.grupodopulo.blogspot.com

Nas duas últimas edições do De Versão em Versão, o Grupo do Pulo trouxe a público dois debates entre os principais candidatos à presidência e não por acaso, alguns dos temas discutidos ou idéias exploradas na encenação foram praticamente copiadas pela realidade. Vamos a elas:

1º) A Rede Cegonha!
A candidata petista chamada em nosso espetáculo como “Candidata Nº 1” lança o projeto Bolsa Cegonha com o intuito de levar muita gente no bico. Era incrível sua descrição, NA PEÇA, sobre como pretendia cuidar das mães e das crianças:
“E a saúde é uma questão fundamental no nosso país. Para melhorar a saúde nós temos que começar a cuidar das crianças, desde a gestação da mãe, passando pelo parto até chegarmos à criança propriamente dita. É um longo período. Digo, é um período de 9 meses. Mas, se pegarmos todas as mulheres do Brasil, são vários períodos de 9 meses. Por isso digo que é um período longo.”
Fato é que pela imitação da arte, ou obviedade da vida a “Rede” Cegonha está lá, como uma das variadas primeiras questões “fundamentais” do plano de governo da candidata petista!

2º) A Bolinha de Papel!
Pra quem esteve no último De Versão em Versão, verificou uma grande novidade, que foi a abertura da participação do público no espetáculo. Foram distribuídas em cada cadeira da platéia, bolinhas de papel para que fossem jogadas aleatoriamente em qualquer um dos candidatos ali representados. Fato é que por acaso, a Candidata Nº 1 levou uma enxurrada de bolinhas e o Candidato Nº 2, representado por este que vos fala, também ganhou algumas bolinhas, ou diria boladas? Fato é que uma delas acertou diretamente o meu olho, mas só depois usei isso como muleta para a criação. A vítima tucana se manifestava pela primeira vez!
A vida imitou a arte. E assim nosso tucaninho favorito se “machucou” bem no meio da calva, ganhando um aspecto meio Gorbachev de ser.

Repare, o lado da Candidata Nº 1 tem mais bolinhas!

3º) As 2 Professoras!
Podia me prolongar ainda mais e trazer mais pérolas que a Candidata Nº 1 e o Candidato Nº 2 proferiram nesta campanha limpa, esclarecedora e feliz que tivemos, mas prefiro registrar na memória o que foi marcante para minha criação como ator, como diretor e como eleitor desta comédia.
No último dos debates (que aconteceu ontem, 29/10/10) o Candidato Tucaninho Gorbachev ao ser questionado sobre o tema Educação, cita uma pérola já explorada pelo Grupo do Pulo na edição de setembro quando fala da presença de mais uma professora na sala de aula para melhorar os índices de alfabetização. Ontem, ele disse: “Nós colocamos 2 professoras em cada sala de aula, quer dizer, uma professora e uma estudante de pegadogia.”
Na De Versão do Grupo do Pulo o Candidato Nº 2 dizia: “Eu coloquei uma professora e uma estudante completamente despreparada ganhando uma mísera bolsa de estudos.”

Candidato Nº 2 articula suas idéias. 

E assim a vida imita a arte. Ou ainda, estamos tão cheio de obviedades neste campo de “discussão” e “engrandecimento” político que muitos dos discursos de nossos incríveis candidatos já poderiam ser mais do que previsíveis.

Neste domingo, 31 de outubro de 2010, o Brasil conta com o SEU voto! Pela democratização na hora de dividir a pizza, não em 8 pedaços apenas, mas em quase 190 milhões. Será que dá?

Um grande abraço!

Candidato Nº 2*

*Rafael Carvalho, Ator e Diretor das últimas edições do De Versão em Versão

Oração para São Natalício – Edição nº 11 (Para ler consigo e ecoar)

Vista aérea do Museu Nacional após o incêndio, em setembro/2018.  Crédito Buda Mendes (Getty Images) Que sem palavras possamos reconhe...