quarta-feira, 14 de julho de 2010

Com ingressos esgotados, Corpo Municipal de Teatro de Atibaia faz sua estreia no Festival de Inverno


Por Rafael Carvalho e Nivaldo Todaro
* Matéria publicada em colaboração para o blog http://corpomunicipaldeteatro.blogspot.com/ 

Neste domingo, dia 18 de julho, o CMTA – Corpo Municipal de Teatro de Atibaia, estreia seu primeiro espetáculo após um ano de atividades do curso de formação teatral que teve início em agosto de 2009. Com o espetáculo “A Balada do Flautista” do autor espanhol Jordi Teixidor, o CMTA já ganha casa cheia em sua participação no Festival de Inverno 2010 e teve os ingressos esgotados já nas primeiras horas de distribuição do dia 12 de julho, trazendo grande satisfação para toda a equipe.

Sob a coordenação artística e pedagógica de Leila Garcia, Nivaldo Todaro e Rafael Carvalho, foi desenvolvida durante o processo de trabalho, uma metodologia própria, levando-se em conta os objetivos do curso e as características do grupo. Os alunos tiveram aulas teóricas e práticas de interpretação, história do teatro e estudos sobre o corpo do ator e complementando esta prática, foram feitas visitas ao Espaço Cenográfico de J.C.Serroni, a teatros em São Paulo para assistir a espetáculos e ao Museu da Língua Portuguesa, além de sessões especiais de cinema e leituras de peças de teatro.

Ao longo deste ano, o CMTA passou por quatro espaços diferentes. Iniciou no antigo Museu Olho Latino, em seguida foi para o Colégio Externato São José (que acolheu o projeto com grande entusiasmo) e nos últimos meses o grupo ocupou a Corporação Musical 24 de Outubro e o Centro de Convenções Victor Brecheret. Nesse processo, alguns alunos nos deixaram e seguiram novos caminhos. Os que ficaram, persistiram em seu sonho e agora se apresentam como potenciais novos atores e atrizes no cenário atibaiense. Nosso elenco é composto por: Alexsandro Oliveira, Camila de Oliveira, Edmir Motta, Edson Alexandre, Elaine Santos, Eva Ferrari, Francisco Eulândio, Iza Cristina, Jéssica Fontes, Júlio Reis, Marcos Antonio, Marina Cardoso, Paulo Sérgio, Rafael Bittar, Rosana Ataliba e Rosemildo Machado.

O CMTA, que contou com apoio da Secretaria de Cultura e Eventos, ainda não tem previsão de continuidade para o ano de 2010, mas espera-se que com a ação deste novo grupo, possam surgir novas iniciativas para formação de artistas em nossa cidade, favorecendo cada vez mais nossa produção.




O espetáculo “A Balada do Flautista” tem classificação de 10 anos e acontece neste domingo, 18 de julho, às 20h, no Centro de Convenções Victor Brecheret e promete levar para o público um momento de alegria e reflexão sobre a relação entre o poder e o povo de uma cidade assolada por uma praga de ratos.

CMTA posa para o programa Cotidiana, de Ana Gouveia

domingo, 27 de junho de 2010

MÊS DO ORGULHO? DE QUÊ?

Este mês, como dito na postagem anterior e sabido por muitos é o Mês do "ORGULHO" LGBT. Paradas, festas, ciclo de palestras, entre outros eventos, movimentaram a cidade de São Paulo, assim como outras cidades do país, em busca de uma reflexão sincera à respeito de causas que ainda se mostram adversas de muitos cidadãos.
Acreditando em minha função como artista, educador e cidadão, percebo que uma sociedade real não se constrói apenas pela avaliação de seus insucessos, mas sim pelas contribuições que fortemente vem para se entender a contemporaneidade como espaço único de mudança. Ultimamente ando sorrindo mais, ando acreditando apenas.
Mas nesta noite de domingo, ao ler uma matéria sobre um menino de 14 anos que foi torturado e assassinado em São Gonçalo - RJ, por supostamente ser homossexual... não sei, senti dor e ódio e medo de que o "ORGULHO" que o mês carrega seja um pouco vazio, afinal, de que adiantam os 3 milhões participantes de uma Parada na cidade de São Paulo, se não somos capazes de ecoar uma fúria e desejo de justiça à respeito de um crime cometido pelo preconceito? Um crime não, na verdade, segundo dados da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transexuais (ABGLT), foram assassinados cerca de 2.800 homossexuais nos últimos 20 anos.
Ainda não sei o que dizer! Ainda estou em choque! Ainda quero perguntar:
Você que me lê, tem fome de quê? Tem ódio?  De quê? Tem amor? O que faz pela mudança do pensamento medíocre que sustenta este país? Ou melhor, a sua cidade ou o seu bairro ou a sua casa? Como se muda? Como podemos nos calar? Você só sabe gritar É GOOL? Ou sabe gritar CHEGA?
Apesar de andar sorridente nos últimos tempos, hoje durmo triste e infeliz e espero que quem leu esta postagem não se sinta ofendido mas, sinceramente invadido e convidado e divulgar a pobreza de ideais que ainda mergulhamos nalguns cantos deste país.

Rosas Brancas para Alexandre Thomé Ivo Rojão.


domingo, 13 de junho de 2010

ROSAS BRANCAS PARA SALETE

Junho é o mês do Orgulho LGBT e tradicionalmente acontece a colossal Parada na Avenida Paulista em São Paulo, que em 2010 chegou ao 14º ano de realização. Uma festa de harmonia entre homossexuais e heterosexuais, representados por entidades defensoras dos direitos dos LGBT, famílias e personalidades que apóiam a liberdade sexual e que acima disso, respeitam o ser humano como igual. Porém, há muito o que se caminhar, a campanha deste ano "Vote contra a homofobia: Defenda a Cidadania!" surge com foco no mês eleitoral deste outubro de 2010, que espera não ser mais um grito dos excluídos, mas uma voz real de quem não faz só barraco, mas que tem organização e uma causa humana, que é o Direito a Vida, Respeito, Segurança, entre tantas outras questões que são polêmicas apenas por ainda existir a vista grossa de uma camada preconceituosa, que ainda habita em todos os níveis sociais e públicos deste país.

Agora me distancio desta introdução para deixar uma dica: quando a Copa acabar e voltarmos a ser brasileiros como realmente somos, convido todos a subir no alto de seus saltos e lembrar que é todo dia que se constrói um país igual, que seja também pelo voto, mas antes, que seja pela voz!
Bom, depois do momento desabafo "Eu não sou brasileiro só na Copa" quero compartilhar sobre o envolvente espetáculo que assisti na última sexta-feira: ROSAS BRANCAS PARA SALOMÉ, de Gladston Ramos, com Salete Campari passeando pela vida da transformista Salomé, figura ímpar para a memória da homossexualidade no cenário artístico brasileiro. Salete oferece Rosas Brancas para seu público que tem o prazer de compartilhar uma história que muitas vezes deixa de ser singular e transcende o palco, invadindo a particularidade de cada espectador, que mergulha fundo em sua história de vida, seja pelo preconceito algum dia vivido ou pelas paixões avassaladoras que deixam sua marca. A cara da realidade gay vivida por Salomé entre as décadas de 40 e 70 ainda ecoa à margem da sociedade contemporânea e Salete traz com Salomé uma possibilidade de cura para todo mal, trazendo o olhar humano, visto de dentro de um camarim, as lembranças que vivemos todos os dias.

Agora segue o convite:
"Rosas Brancas para Salomé"
Onde: Teatro do Ator - Pça Roosevelt, 172 - São Paulo - SP
Todas as
sextas às 21 horas
Ingresso:
2 kg de alimentos não perecíveis revertidos para a Casa Brenda Lee ou R$ 10.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

PRAZO DE VALIDADE NA JUSTIÇA BRASILEIRA

Nos tempos atuais, fica impossível sair de casa sem um raminho de ARRUDA dependurado por detrás de uma das orelhas. É, porque hoje em dia está uma loucura! Não se sabe mais quanto pagaremos no preço do feijão! Na compra do mês passado era Dois e cinquenta e trêssss hoje já estamos nos duros Quatro e trinta e trêssss! Isso não é bacana!

Como continuar convivendo com essa orgia pública da justiça brasileira, onde o ladrão que rouba ladrão vai dali, da prisão, direto para a mansão? Ah gente! Poxa!

Neguinho escorregando de TOBOGÃ no Rio de Janeiro e em Niterói pode né? E o prazo de validade da justiça que vai investigar as irregularidades do poder público na inspeção das áreas de risco? Ah, isso não tem prazo de validade!

Porque no país do Tudo Pode! a gente sai como bons irmãos que somos de mãos dadas com o alemão, com o chinês, com o português, o inglês, o francês e outros ês e cantamos: “Caminhando e cantando e seguindo a canção, somos todos iguais braços dados ou não.”

Gente! Fica ligado gente! Poxa! Isso não é bacana! ARRUDA na mansão? Nãããããoooo, ARRUDA é no pé do ouvido, porque assim sempre tem alguém de olho na verdinha!

Agora o TOBOGÃ... esse não me entra na cabeça. Se bem que isso já faz parte de uma das obras das Olimpíadas de 2016 né? Vocês não viram os Jogos de Inverno de Vancouver, aquelas pistas geladas maravilhosas? Aquela brancura bonita de gelo, vocês acham que eram o que antes? Morro! Morro! Assim eu morro! Ah, isso não é bacana!

Como cronômetros que somos, ou deveríamos ser, vamos medir o tempo da justiça para ARRUDA e para os desalojados pela onda de enchentes e desabamentos... aliás, antes de verificar o terreno do vizinho, por que não olhar para os bairros ou cidades próximas de onde você mora e procurar saber um pouco sobre a vida política de seus governantes? E também, como anda o atendimento aos atingidos pelas catástrofes naturais nos últimos meses? Precisamos refrescar a memória sempre, lembrar que somos BRASIL a todo tempo e em todos os lugares do país.

Ps. Brasil e país ficou um pouco redundante, mas era essa mesma a ideia.

Foto da enchente no município de Atibaia-SP, em janeiro de 2010.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

UM CREPÚSCULO DOS DEUSES

E é assim, fazendo referência ao belíssimo filme de Billy Wilder, que retomo essas abóboras no intuito de trocar, com maior freqüência, receitas de padrão artístico cultural.

Para (re)tomar, trago o melhor dos prazeres em imagem e som, Chet Baker e o crepúsculo, a melhor das combinações. Descrevendo com palavras mais viventes deste novo homem sóbrio da sociedade, crepúsculo não é apenas o filme baseado naquela série da Stephenie Meyer, mas o nome mais requintado para pôr-do-sol, anoitecer ou fim de tarde, também pode ser aplicado para o nascer do sol, ou seja, faz parte daquela coloração que vemos quando o sol ainda não sumiu ou apareceu por completo, no caso, uso crepúsculo por combinar com uma sonoridade ainda mais envolvente, a de Chet Baker.

Baker foi um grande trompetista do jazz norte-americano que trouxe um romantismo afogado pela acidez embriagante de sua destreza no trompete e acima de tudo com sua aveludada voz, que me desculpem os desgostosos pelo estilo, mas extremamente eficaz quando se quer falar para o coração. Songs de sucesso como “My funny valentine” apresentam uma beleza ímpar da criação melódica e envolvente com a voz sedutora de Chet Baker. Vale a pena conferir também “Like someone in love”, mas hoje presenteio com “The thrill is gone”:

Como todo “bom” representante da música do século XX, Baker teve um histórico como a de um bêbado banhado num mar de seringas mal afiadas. Teve uma vida longa até... 59 anos! Que lhe renderam uns dentes perdidos e é claro, as melhores canções para toda a eternidade.

Confiram comigo uma excelente combinação para este outono/inverno de crepúsculos avermelhados e arroxeados com Chet Baker... se bem que um vinhozinho também pegaria super bem! Evoé!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Quando eu voltar a ser criança...

Para começar um ano bom, a proposta foi: ler todos aqueles livros que estão na prateleira há dias, semanas, meses ou anos colecionando camadas e camadas de poeira - coisa que não deixo acontecer, afinal sou um virginiano legítimo. O fato é que dentre Miseráveis, Tchecov’s, Brook’s, Lehmman’s, Gorki’s, Poe’s e afins escolhi Janusz Korczak com “Quando eu voltar a ser criança”. Escolhi esse primeiro, pois ganhei “emprestado” há cerca de um ano, ou mais, de minha irmã de sangue nascida em Minas, a Luana, quando disse que queria escrever uma peça infantil sobre garotos discutindo seus problemas numa mesa de bar tomando um guaraná. O desejo de escrever a peça ficou escondido na pasta de projetos pela metade, mas a leitura de “Quando eu voltar...” me transportou para um universo muito íntimo e particular, o da memória.

No livro de Korczak, o adulto personagem principal dá um salto no tempo e revive todas as alegrias de uma criança: a escola, a brincadeira, o primeiro cachorrinho, o primeiro amor, a família, a amizade e também tudo aquilo que machuca e causa dor e frustração. Durante seus renovados dias infantis, o garoto reflete como voltaria a ser um adulto como era antes, agora que teria a chance de ser um homem novo, cheio de brilho no olhar ao voltar para seus alunos e para sua vida de gente grande, afinal sempre é assim, se somos grandes gostaríamos de voltar a ser crianças e se somos crianças queremos ser adultos e no final percebemos... Pra quê isso tudo?
Sim, no final ele se fez a mesma pergunta e voltou a ser adulto! Voltou a ser adulto e talvez o mesmo adulto que um dia foi. Terminado o livro veio a frustração, mas ao mesmo tempo concluí que é impossível voltar a ser uma criança feliz alegre e sorridente por toda a vida.

É possível aceitar que há dias em que se chove, mas há dias... Há dias que se faz sol.

Agradeço a Luana, pois pretendo retomar minha peça. Aliás, não acho a pasta de projetos pela metade... rs

Tudo bem, recomeço!

Oração para São Natalício – Edição nº 11 (Para ler consigo e ecoar)

Vista aérea do Museu Nacional após o incêndio, em setembro/2018.  Crédito Buda Mendes (Getty Images) Que sem palavras possamos reconhe...